Sou adepta incondicional do que eu mesma chamo de "a arte soco-no-estômago". Tratam-se daquelas obras que não apresentam nada de bonitinho logo no primeiro contato, mas que, aos poucos, vão revelando todo a poética e o encanto que não imaginávamos existir dentro delas.
Geralmente, é uma arte pouco valorizada ante os demais estilos, por ser irritante e indigesta demais. Parece até que revelam uma violência gratuita, o sexo desnecessário, entretanto ocorre o inverso. A arte soco no estômago escancara o que há de mais sublime na mente humana, o que há de mais essencial em nossa natureza, tudo o que ocultamos em nosso cotidiano ‘jogo de aparências’, tudo aquilo que só revelamos para os íntimos, ou para o espelho.
É justamente esse tipo de produção cultural que prova toda a grandeza da arte, a invenção humana capaz de transformar a crueza e a crueldade da vida em diversão, conhecimento e reflexão.
Bem, algumas dessas obras “soco-no-estômago” estão ao alcance de todos e deveriam ser lidas, assistidas e observadas.
Na literatura, destaco obras de Rubem Fonseca (leiam Família é uma Merda), Charles Buchowski e Lima Barreto. Nas plásticas, chamo atenção para Keith Haring e Ron Muek. No cinema, tem Quentin Tarantino (Cães de aluguel e Pulp Fiction), os irmãos Cohen (Fargo e O grande Lebowski), Anthony Minghella (O Talentoso Ripley e O Paciente Inglês), Eduardo Coutinho (Boca de Lixo, Edifício Master, etc.), Spike Lee (A Última Noite e Faça a Coisa Certa).
Ah! E só pra encerrar, (re-)assistam a “Assassinos por Natureza” de Oliver Stone. Esse filme é o pai de Pulp Fiction, Jogos Mortais, etc. Vale a pena, pra quem não sofre de azia. No elenco, ninguém menos que Woody Harelson, Juliette Lewis, Robert Downey Jr. e Tommy Lee Jones. Deixo o link de um site legal falando sobre o filme: http://www.poppycorn.com.br/artigo.php?tid=330.